Petista também criticou protecionismo dos países e defendeu acordo Mercosul-UE; declaração foi durante visita a Portugal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 3ª feira (21.abr.2026), em Lisboa, que a OMC (Organização Mundial do Comércio) “nunca mais funcionou” após a eleição do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama (Partido Democrata), em 2008. A declaração foi feita após reunião com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro (PSD, direita).
“Eu sou testemunha viva que, em 2008, a gente estava quase para concluir o acordo na OMC, quando por conta das eleições do Obama, o presidente Bush parou de negociar. Aconteceu que o Obama ganhou as eleições e nunca mais a OMC funcionou. Esse é o dado”, declarou Lula.
O petista defendeu o multilateralismo e criticou o que chamou de hipocrisia dos países ricos em relação ao livre comércio. Segundo ele, as nações que pregavam a abertura comercial nos anos 1980 se tornaram protecionistas quando os países em desenvolvimento passaram a ser competitivos.
“Nos anos 80, a coisa mais fantástica era o livre comércio, era a globalização. Mas quando nós passamos a gostar do comércio, quem vira protecionista são aqueles que nos 80 queriam [a abertura]. Porque nós passamos a ser competitivos e os nossos produtos passaram a chegar no mercado deles”, disse.
Sobre o acordo entre o Mercosul-UE disse que foi “equívoco” a decisão do Parlamento Europeu de tentar suspender o tratado na Justiça. O texto começa a vigorar de forma provisória a partir de 1º de maio.
O presidente afirmou que o Brasil não tem preferência entre China e Estados Unidos e quer manter relações com todos os parceiros comerciais.
“Não somos favoráveis à 2ª guerra fria, não temos preferência comercial entre China e Estados Unidos. Nós queremos ter relação com a China, com os Estados Unidos, com a Rússia, com todo mundo. Sem preferência. O que nós queremos é multilateralismo, harmonia e muita paz para a gente poder negociar”, declarou.
LULA EM PORTUGAL
Lisboa é a última parada de Lula no tour que fez pela Europa. Antes, esteve em Barcelona (Espanha) e em Hannover (Alemanha). O petista ainda se encontra nesta 3ª feira (21.abr) com o presidente português, António José Seguro (PS, esquerda), antes de retornar ao Brasil.
Montenegro lembrou que é a 1ª vez que Lula vem a Portugal desde que assumiu o governo português, há 2 anos. Falou sobre a relação história entre os países e a colaboração em diversas áreas, como a sustentabilidade, proteção ambiental, proteção do espaço marítimo e o comércio.
Lula esteve em Portugal em abril de 2023 –ele também desembarcou no país europeu no dia 21 de abril. Na ocasião, ficou até 25 de abril. Se encontrou com o então presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, com António Costa, que era o primeiro-ministro e hoje ocupa o cargo de presidente do Conselho Europeu da UE, e outras autoridades.
A decisão de incluir Portugal nesta viagem se deu, segundo o embaixador Roberto Abdalla, pelo caráter histórico da relação entre as duas nações e pela grande comunidade brasileira que vive no país europeu.
O relatório mais recente da Aima (Agência para a Integração Migrações e Asilo), com dados de 2024, indica que 484.596 cidadãos do Brasil vivem em Portugal –a maior comunidade estrangeira. O número, no entanto, é maior. Isso porque não estão contabilizados os brasileiros que vivem no país com cidadania de alguma nação da União Europeia.
Segundo o Planalto, a corrente de comércio Brasil-Portugal foi de US$ 4,55 bilhões em 2025. As exportações brasileiras atingiram US$ 3,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 1,25 bilhão.
Temas como a imigração também estiveram na agenda das conversas. O Parlamento de Portugal aprovou, em 1º de abril, uma nova redação da lei de nacionalidade que endurece as regras para estrangeiros que buscam cidadania –afetando diretamente milhares de brasileiros que residem no país.
A passagem de Lula por Lisboa contou com manifestações a favor, organizada pelo núcleo PT de Lisboa, e contra, coordenada pelo partido português de direita Chega. Ambos os atos se concentraram na região do Palácio de Belém, sede da Presidência de Portugal.
Eis a comitiva que acompanhou Lula a Lisboa:
- ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira;
- ministro da Fazenda, Dario Durigan;
- ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa;
- ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira;
- ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação substituto, Luis Manuel Fernandes;
- presidente da Fiocruz, Márcio Moreira.
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