Vice-presidente fez aceno em congresso do partido, mas sua chegada à chapa de Lula em 2022 foi marcada por resistência e críticas
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta 6ª feira (24.abr.2026), durante o 8º Congresso Nacional do PT, que sempre foi tratado com afeto pelos petistas. A declaração contrasta com o ambiente que enfrentou quando aceitou compor a chapa presidencial com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.
“Eu, que não sou do PT, sempre fui recebido com enorme afeto e consideração. E a segunda é dizer da minha lealdade ao presidente Lula para trabalhar em benefício da nossa população”, disse Alckmin a uma plateia de petistas em Brasília (DF).
A resistência interna ao anúncio veio de líderes do partido. Em 2016, o então governador de São Paulo, que estava no PSDB, afirmou que o PT era o “rei do impeachment” e defendeu o processo contra Dilma Rousseff (PT). Reforçou declarações de outros tucanos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para integrar a chapa em 2022, Alckmin precisou deixar o PSDB –partido pelo qual derrotou o PT no governo de São Paulo e disputou a presidência contra Lula em 2006– e se filiar ao PSB, que apresentou formalmente sua candidatura a vice.
A manobra foi necessária para contornar as regras eleitorais e dar uma moldura de centro-esquerda à aliança.
A resistência foi suficientemente intensa para que a decisão tivesse de ser defendida pelo próprio Lula, que precisou convencer alas do partido sobre a viabilidade estratégica da aliança. A adesão, quando veio, foi mais pragmática do que entusiasta.
No mesmo discurso, Alckmin também creditou ao presidente a sobrevivência da democracia brasileira, em referência ao 8 de Janeiro. “O presidente Lula salvou a democracia do Brasil. Tentando dar um golpe, eles não conseguiram.”
O vice citou ainda o acordo Mercosul-União Europeia, que entra em vigor de forma provisória em 1º de maio, e a reforma tributária –que unifica 5 tributos. Comparou as políticas de saúde do governo Lula com o período anterior, criticando a campanha antivacinal associada ao governo de Jair Bolsonaro (PL) e aos 720 mil mortos pela covid-19.
A presença de Alckmin no congresso petista foi um gesto de fidelização ao projeto político de Lula, em momento em que o governo avalia sua estratégia para 2026.