Produção católica da Brasil Paralelo tem orçamento de R$ 5 milhões, revela reportagem

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“Domingo Sem Deus”, que estreou no domingo de Páscoa, em 5 de abril, na plataforma de streaming Brasil Paralelo, a BP, nasceu na Cidade de Deus —a famosa comunidade carioca que deu nome ao livro de Paulo Lins, em 1997, e ao filme de Fernando Meirelles, de 2002.

Ali, o cineasta Breno Moreira desenvolvia um projeto com atores amadores que acabou se transformando no segundo longa de ficção da BP. A plataforma é conhecida principalmente por documentários que refletem pensamentos da direita ideológica.

“Domingo Sem Deus”, no entanto, “não é um filme político e não tem viés partidário”, diz Moreira. Pode não ser diretamente político, mas é, assim como seu diretor, abertamente católico. “É um filme sobre a busca das virtudes, da responsabilidade, do amadurecimento”, afirma ele, que se tornou praticante religioso há cerca de quatro anos.

O longa acompanha a trajetória de um jovem da periferia, Walter, vivido pelo ator Wbliow, atravessada por escolhas que envolvem crime, relações afetivas e responsabilidade. Ele circula entre a violência e tentativas de reorganizar a própria vida, até que sua namorada engravida e ele resolve se aposentar do tráfico.

Com um custo de R$ 5 milhões, o projeto nasceu quase sem querer. Moreira não pertencia aos quadros da BP, mas foi chamado para uma reunião porque a plataforma queria comprar um outro projeto dele, um longa sobre Nossa Senhora Aparecida.

“A gente [ele e o sócio, Igor Matos] negou vender porque acredita que ‘Aparecida’ é um filme que deve ir ao cinema.” No encontro, porém, Moreira apresentou outros materiais, incluindo um curta inacabado feito com alunos de um projeto seu na Cidade de Deus.

“Quando eles viram aquelas cenas, perguntaram se não daria um longa. Respondi na hora que sim, sem saber o que me esperava.”

A empresa buscava um lançamento em curto prazo. “A partir daí, o projeto foi desenvolvido e concluído em cerca de seis meses”, conta o diretor.

Moreira, que já dirigiu clipes e documentários da cena independente, além de um curta para a revista britânica Dazed and Confused, afirma que não conhecia bem a Brasil Paralelo.

“Eu tinha até certo preconceito, por não os conhecer.” Mas a relação foi uma surpresa. “Me deram liberdade absoluta. Se os R$ 5 milhões fossem meus, não haveria nada de diferente no filme”, afirma.

A liberdade foi tamanha que Moreira resolveu fazer o filme com sua câmera de estimação, que é uma 16 mm —que funciona, obviamente, com película. Película que precisou ser revelada na Bélgica. “Não existe mais laboratório no Brasil.”

“A película muda o comportamento no set. Você pensa antes de apertar”, diz ele. Por gastar mais em filmes e revelação do que teria se gravasse digital, Moreira teve que economizar em outras áreas.

Acumulou, assim, diversas funções na produção. “Eu fui o roteirista, o operador de câmera, o editor e também participei da finalização.”

A experiência católica aparece no roteiro como estrutura de apoio, sem que seja explicitada ao espectador. “Na primeira parte, eu coloco os pecados capitais e, depois, a busca pelas virtudes cardeais”, afirma, explicando que isso foi usado como guia interno de escrita.

Moreira nasceu em família religiosa, mas era um não praticante. “Minha família tinha um catolicismo de IBGE“, diz. “A gente ia à missa uma vez por ano.”

Ele passou a viver a religião de forma ativa há quatro anos, após um período que descreve como difícil. “Eu estava vivendo uma vida muito distante. Eu estava vivendo uma vida muito infeliz.”

A mudança, segundo ele, ocorreu após um encontro pessoal. “O [ator] Juliano Cazarré me ajudou a me reencontrar.” Cazarré, aliás, tem sido criticado por colegas de profissão por seu envolvimento com grupos de direita, como o Legendários.



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