Brasil lidera em data centers na América Latina
O Brasil se destaca na América Latina ao concentrar 205 data centers, representando 42,1% do total da região. Esse número é cerca de três vezes maior que o do Chile, que ocupa a segunda colocação com 66 unidades. O México segue de perto, com 65 data centers. Esses dados são do Data Center Map, e ilustram claramente a relevância do Brasil no cenário de infraestrutura digital.
A demanda crescente por capacidade computacional, impulsionada pela inteligência artificial, promete movimentar até US$ 930 bilhões nos próximos seis anos. Luciano Fialho, vice-presidente sênior da Scala Data Centers, destaca que os data centers estão se tornando ativos estratégicos, com importância comparável a setores como energia e saneamento.
Desafios para o crescimento da infraestrutura
Apesar de seus avanços, o Brasil enfrenta desafios que podem limitar a expansão de sua infraestrutura digital. Entre os principais entraves estão as questões regulatórias e tributárias, que preocupam especialistas e investidores. Por exemplo, cerca de 60% dos dados brasileiros ainda são processados fora do país, o que representa uma dependência considerável de legislações estrangeiras e compromete a soberania digital.
Além disso, o desperdício de capacidade energética é um problema que pode dificultar investimentos sérios. A matriz elétrica brasileira, que é 85% a 90% renovável, ainda não está sendo plenamente aproveitada para suportar a demanda crescente por data centers.
Implicações da carga tributária elevada
Os dados revelam que a carga tributária referente a data centers no Brasil é um dos grandes obstáculos. A falta de coordenação entre Estados e a União resulta em um ICMS que representa cerca de dois terços da tributação sobre o setor. Isso desestimula novos investimentos e pode travar decisões de longo prazo, uma necessidade imediata para a consolidação do setor no país.
A corrida global da inteligência artificial
O mundo está em uma corrida sem precedentes para investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Especialistas estimam que provedores de nuvem devem investir cerca de US$ 646 bilhões até 2026. Embora o Brasil lidere na América Latina, sua posição pode ser ameaçada por entraves institucionais que dificultam a atração de investimentos e a concorrência global.
Instituições locais devem acelerar decisões para garantir que o Brasil não fique à margem dessa corrida. Alexandre Kontoyanis, diretor de educação da ABDC, alerta sobre a importância de não perder o timing para ações estratégicas que garantirão o futuro do país nesse setor dinâmico.
Soberania digital como prioridade
Com as crescentes tensões geopolíticas, o debate sobre a infraestrutura digital no Brasil se torna cada vez mais relevante. Processar dados localmente é essencial não apenas para segurança, mas também para a soberania do país. Andressa Michelotti, doutoranda pela UFMG, ressalta que a infraestrutura digital é uma forma de “hard power”, um ativo estratégico que pode aumentar o poder de influência do Brasil no cenário internacional.
Esse contexto exige que o país crie condições favoráveis para desenvolver sua própria infraestrutura de dados, reduzindo a dependência externa e promovendo um ambiente mais seguro para dados brasileiros.
A janela de oportunidades
O Brasil enfrenta uma janela de oportunidade de cerca de três anos para se solidificar como um hub de data centers. Para isso, precisa adotar políticas que favoreçam a instalação e operação dessas infraestruturas. Caso contrário, investidores podem desvincular seus projetos do Brasil e redirecioná-los para mercados emergentes, como Vietnã e Malásia, que se apresentam como alternativas atrativas.
Fialho e outros especialistas concordam que, além de incentivos financeiros, é a previsibilidade que os investidores buscam. As regras devem ser claras e coordenadas, fornecendo um ambiente seguro e confiável para projetos que envolvem bilhões de dólares e até 30 anos de investimento.
Conclusão: O futuro das tecnologias no Brasil
O futuro dos data centers no Brasil é promissor, mas depende de uma mudança imediata nas políticas e regulamentações atuais. A integração de esforços entre o governo e o setor privado pode transformar o país em um verdadeiro líder em infraestrutura digital na América Latina, garantindo que o Brasil não apenas mantenha sua posição, mas também que cresça em um mundo dominado pela tecnologia e pela necessidade de dados.