MAM Rio inaugura exposição com 180 obras do artista Rubem Valentim

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A obra multifacetada de Rubem Valentim ganha destaque no MAM Rio

Salvador, Rio de Janeiro, Roma, Brasília e São Paulo foram os palcos onde Rubem Valentim construiu sua carreira e sua expressiva produção artística ao longo de 69 anos. Cada cidade representa uma fase única de sua obra, revelando sua evolução desde os desenhos em nanquim com ex-votos na Bahia até as esculturas icônicas produzidas no Distrito Federal.

A exposição “Rubem Valentim: A Ordem do Sensível”, em cartaz no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) até 2 de agosto, oferece um percurso singular pela trajetória do artista. Cerca de 180 trabalhos — incluindo desenhos, pinturas, relevos e esculturas — dialogam entre si, organizados por núcleos temáticos que remetem às cidades onde ele viveu, sem seguir uma ordem cronológica rígida.

A mistura entre geometria e símbolos afro-brasileiros

Rubem Valentim é reconhecido por uma estética original que combina rigor geométrico com elementos das religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda. Essa fusão dá à obra uma profundidade sensível aliada ao pensamento concreto, movimento artístico dominante no Brasil dos anos 1950.

Curadora da mostra, Raquel Barreto destaca que Valentim não pretendeu criar uma arte estritamente religiosa. Seus símbolos — como a folha tripartite que remete a Ossain, orixá associado às ervas e cura, e as flechas relacionadas a Oxóssi — são usados como linguagem plástica, universal e aberta a múltiplas interpretações, dentro de uma proposta de criar uma linguagem artística genuinamente brasileira.

Símbolos universais em diálogo com o sagrado

O artista utilizava símbolos como formas abstratas, que podem evocar referências religiosas, mas que antes de tudo são partes de uma composição formal. Por exemplo, a estrela presente em algumas esculturas pode ser lida tanto como a Estrela de Davi quanto uma forma abstrata de cinco pontas, dependendo da percepção do espectador.

Essa flexibilidade na leitura das imagens reforça a ideia de que a obra de Valentim transcende fronteiras religiosas, conectando a simbologia afro-brasileira a um discurso visual mais amplo e acessível.

Destaque para a têmpera do Festival Mundial de Artes Negras

Entre os destaques da exposição está uma têmpera criada em 1965, quando o artista vivia em Roma, que integrou a primeira edição do Festival Mundial de Artes Negras, realizado em 1966 no Senegal. A obra marca um momento crucial da valorização da negritude e da diáspora africana, fazendo a conexão de Valentim com movimentos internacionais ligados à cultura negra.

Este contexto histórico reforça a relevância da obra de Valentim não só no Brasil, mas no cenário global das artes negras e contemporâneas.

Grande retorno de Valentim ao MAM Rio após seis décadas

A mostra “Rubem Valentim: A Ordem do Sensível” é a primeira grande exposição do artista no MAM Rio em 60 anos, proporcionando uma oportunidade excepcional para que uma nova geração de artistas e público conheça a relevância e a profundidade do legado do baiano.

Além das obras individuais, o museu reexibe a instalação “Templo de Oxalá” (1977), composta por 20 totens de madeira pintada de branco, dispostos para que os visitantes circulem entre eles. Esta instalação sintetiza temas centrais da produção de Valentim, já consolidado como uma referência no cenário artístico nacional.

Arte, identidade e o papel do artista além da raça

Ao falar sobre a influência da raça na obra de Valentim, os curadores reforçam que, embora sua identidade como homem negro seja significativa, não se pode reduzir sua produção a essa única dimensão. O artista construiu sua poética com estudo, pesquisa e trabalho rigoroso.

Valentim é reconhecido por sua condição de “grande artista” acima de quaisquer rótulos, destacando-se pela excelência técnica e pela profundidade simbólica de sua obra, que dialoga tanto com o universal quanto com o particular brasileiro.

Reflexão sobre a importância cultural de Rubem Valentim

“Rubem Valentim: A Ordem do Sensível” não é apenas uma exposição, mas um convite para repensar a arte brasileira a partir de uma perspectiva que integra história, cultura afro-brasileira e modernidade. Seu trabalho permanece atual ao desafiar as fronteiras entre o concreto e o sensível, celebrando uma identidade visual rica e multifacetada, capaz de emocionar e instigar reflexões profundas no público.

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