Financiamento recorde para cinebiografia de Jair Bolsonaro
A cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu um aporte financeiro de R$ 61 milhões, valor repassado por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Esse montante supera significativamente o orçamento das duas maiores produções brasileiras recentes indicadas ao Oscar: “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho. O investimento chama atenção pelo tamanho, especialmente para um filme privado financiado sem recursos públicos.
Orçamentos de produções brasileiras premiadas
Ao comparar os valores, o filme de Walter Salles, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, teve orçamento estimado em R$ 45 milhões. Já “O Agente Secreto” custou cerca de R$ 28 milhões. Ambos tiveram modelos de financiamento distintos, como coprodução internacional ou verba pública parcial, mas ainda assim estão bem abaixo do valor investido em “Dark Horse”.
Controvérsias e negações sobre o financiamento
Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência e filho de Jair Bolsonaro, reconheceu ter solicitado mais recursos a Vorcaro para o projeto, em áudio divulgado. Contudo, ele nega ter oferecido ou obtido vantagens políticas ou financeiras em troca do apoio. O site The Intercept Brasil revelou que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro poderia chegar a R$ 134 milhões, embora não haja confirmação de que essa soma tenha sido integralmente repassada.
Orçamento comparado a produções internacionais
Os R$ 61 milhões destinados ao filme equivalem a cerca de US$ 24 milhões, valor que ultrapassa produções internacionais recentes indicadas ao Oscar, como “Valor Sentimental” (US$ 7,8 milhões) e “Sonhos de Trem” (US$ 10 milhões). O montante se aproxima também do orçamento de filmes polêmicos como “Emilia Pérez” e outros títulos orçados em cerca de US$ 20 a 25 milhões, o que evidencia a dimensão financeira do projeto brasileiro.
Perfil da produtora e uso de recursos públicos
Além do investimento privado, a produtora responsável, GoUP Entertainment, liderada por Karina Ferreira da Gama, recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos vinculados a outras áreas, como tecnologia e esportes. Karina também detém um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi, o que levanta questionamentos sobre o cruzamento entre recursos públicos e iniciativas privadas no setor audiovisual.
Detalhes da produção e elenco principal
“Dark Horse” retratará episódios marcantes da vida de Jair Bolsonaro, especialmente após o ataque a faca sofrido em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 2018. As filmagens começaram no Hospital Indianópolis, em São Paulo, e a estreia está prevista para setembro deste ano. O filme é dirigido pelo cineasta americano de origem iraniana Cyrus Nowrasteh, conhecido por trabalhos como “Infidel” e “O Jovem Messias”. Jair Bolsonaro será interpretado por Jim Caviezel, que ganhou destaque ao viver Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”.
Impacto e expectativas para a cinebiografia
O lançamento de “Dark Horse” reúne expectativas altas, tanto pelo investimento recorde quanto pelo contexto político e emocional que envolve a figura de Jair Bolsonaro. A produção promete trazer ao público um retrato intenso e controverso, despertando curiosidade e debates sobre a interseção entre cinema, política e memória recente do Brasil.