Iole de Freitas cria esculturas inspiradas no amanhecer em exposição na Ilustrada

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Iole de Freitas reinventa o amanhecer em suas esculturas vibrantes

Na parede branca de uma galeria em São Paulo, formas coloridas serpenteiam com cores que vão do vermelho ao ultravioleta. São as novas esculturas de Iole de Freitas, que traduzem o amanhecer em arte visual, incorporando o movimento e a vibração da luz no aço inox pintado. Aos 80 anos, a artista transforma a espera pela luz do dia em uma experiência plástica inédita, atualmente em exposição na Galeria Raquel Arnaud.

A inspiração no intervalo entre noite e dia

Iole despertou uma rotina de observar o amanhecer diariamente, captando a transformação gradual da luz e sua paleta cromática que vai do violeta ao vermelho. Essa observação intensa originou suas “Noturnas”, esculturas curvas e retorcidas, que se expandem em mechas na parede, sugerindo não apenas o movimento da luz, mas também uma reflexão profunda sobre o tempo e a finitude da vida, temas acessados pela artista em sua maturidade.

Cor e movimento como protagonistas da exposição

Diferentemente de trabalhos anteriores, em que a cor aparecia mais discreta, aqui ela ocupa o centro da cena. A aplicação intensa de tonalidades sobre o aço inox cria uma atmosfera luminosa que amplia a percepção do espaço para o observador. A escolha de posicionar as esculturas na altura dos olhos reforça a ideia do horizonte, estimulando o olhar a se projetar para além do chão, sobre a expansão e o infinito.

Mantos: a conexão com o barroco e o corpo

Além das esculturas coloridas, a exposição reúne grandes “Mantos” feitos com papel glassine, areia e cola, que evocam tecidos e peles caindo em dobraduras orgânicas. Essa materialidade lembra a estética barroca, já explorada por Iole em outras fases, mas sem excessos superficiais – é uma expressão intensa de transformação e pulsão no espaço, onde o barroco se revela como linguagem visual profunda e não como exagero.

Renovação e compromisso com o novo

Para Iole de Freitas, cada mostra deve trazer inovação, misturando arte e invenção. Sua produção recente reflete essa renovação constante, uma busca por ampliar os limites da linguagem plástica e da percepção. A exposição em São Paulo é um marco desse momento, reafirmando sua importância como artista que não se repete, mas evolui ao longo do tempo.

Apoio às vozes indígenas, negras e periféricas

Além do trabalho artístico, Iole tem se dedicado a abrir espaços institucionais para produções pouco representadas, como as indígenas, negras e periféricas. Em seu papel de educadora na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, apoia projetos ligados às Escolas Vivas, que promovem a transmissão de saberes tradicionais por meio da arte. Ela acredita que a arte é um processo de individuação, mas que a diversidade e a inclusão são urgências históricas inadiáveis.

Próximos passos na trajetória da artista

A mostra “Noturno Sem Pé e Cabeça” fica em cartaz até o final de maio na Galeria Raquel Arnaud. Além disso, Iole de Freitas apresentará um painel de 14 metros na feira de arte ArPa, que ocorre no mesmo período. Em 2027, está prevista uma mostra panorâmica de sua obra na Casa Roberto Marinho, no Rio de Janeiro, com curadoria da crítica Sônia Salzstein, consolidando o legado de uma artista que continua a reinventar o olhar sobre a luz, o tempo e a cor.

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