Globo ajusta abordagem na cobertura política relacionada ao PT em 2026

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Sete anos revelando a história da Globo

O jornalista Ernesto Rodrigues dedicou sete anos para criar uma obra monumental sobre a trajetória da Globo, o maior veículo de comunicação do Brasil, que completou 60 anos em 2025. Dividida em três volumes e somando cerca de 2.400 páginas, sua pesquisa baseia-se em 400 depoimentos de funcionários e mais de cem entrevistas com nomes-chave, entre eles os três filhos de Roberto Marinho. O último livro, chamado “Metamorfose”, cobre o período entre 1999 e 2025, oferecendo uma análise profunda e crítica da emissora.

Crises internas e disputas de poder

“Metamorfose” revela episódios controversos, incluindo as crises financeiras da Globo, como o default de 2002, e as intensas lutas internas pelo controle da empresa. A obra destaca a promoção de Marluce Dias da Silva à direção-geral, encarregada de desmontar uma estrutura de poder consolidada por Boni ao longo de 25 anos. A resistência contra essa mudança foi intensa, marcada até por episódios de machismo, o que evidencia o ambiente conflituoso nos bastidores da emissora.

Cobertura esportiva e omissões jornalísticas

Um foco importante do livro é a relação da Globo com o jornalismo esportivo, especialmente sobre a corrupção na CBF e na Fifa. Rodrigues aponta que a emissora, com raras exceções, adotou uma linha editorial discreta, frequentemente omissa e reativa, nunca investigativa nos temas esportivos, sugerindo um conflito entre interesses comerciais e jornalísticos.

Mudança na cobertura política após 2003

O livro detalha uma guinada significativa no jornalismo político da Globo após a chegada de Lula e do PT à presidência. Antes marcada por um viés governista moderado, a editoria passou a adotar uma postura mais crítica e intransigente, sob a liderança de Ali Kamel e com o aval de João Roberto Marinho. Essa mudança refletiu-se em coberturas contundentes sobre escândalos como o Mensalão, a Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff.

O papel da Globo na Operação Lava Jato

Rodrigues revela que a Globo funcionou como uma “grande parceira” da Lava Jato, participando da cobertura mais longa e controversa já feita pela imprensa brasileira. Mesmo após a anulação das sentenças pelo Supremo Tribunal Federal, que expôs excessos e ilegalidades, a emissora manteve seu posicionamento, sem realizar uma autocrítica oficial, refletindo a complexidade e controvérsia em torno do papel da imprensa no caso.

Reações internas e ausência de autocrítica

A obra destaca as divergências internas da Globo sobre sua linha editorial. Enquanto Roberto Irineu Marinho reconhece um “abuso de poder” na cobertura da Lava Jato, seu irmão João Roberto não vê necessidade de reparos. Ali Kamel se posiciona cauteloso, ressaltando as dificuldades de fazer jornalismo ao vivo e argumentando que não identifica erros graves no processo.

Legado e lições para a imprensa brasileira

O trabalho de Ernesto Rodrigues traz à tona não apenas a metamorfose da Globo, mas também um retrato das pressões, desafios e contradições do jornalismo brasileiro. A obra serve como um convite à reflexão sobre o papel da grande mídia, seu impacto político e social, e a importância de um jornalismo plural, crítico e ético para o fortalecimento da democracia.

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