Relatora da ONU acusa Petrobras e outras empresas da América Latina de se beneficiarem da guerra em Gaza

Francesca Albanese aponta participação indireta em cadeia de fornecimento de petróleo e carvão para Israel; Petrobras nega envolvimento direto nas exportações

A relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, incluiu a Petrobras e outras três empresas latino-americanas em um relatório que denuncia multinacionais por supostamente se beneficiarem da guerra de Israel contra a Faixa de Gaza. A acusação consta de um documento apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU no início de julho.

Segundo o relatório, intitulado Da Economia de Ocupação à Economia de Genocídio, as empresas citadas contribuiriam, direta ou indiretamente, para a manutenção da ofensiva israelense ao exportar recursos energéticos como petróleo, carvão e gás. No caso da Petrobras, a alegação envolve o fornecimento de petróleo bruto oriundo de campos brasileiros dos quais a empresa detém ampla participação.

A Petrobras, que tem o Estado brasileiro como sócio majoritário, negou ter comercializado petróleo ou óleo combustível para Israel durante o período citado. A companhia ressaltou que não é possível afirmar o destino final do petróleo apenas com base em sua origem nos campos brasileiros. “A Petrobras não é a única produtora e exportadora de petróleo do Brasil”, esclareceu a estatal.

Além da petroleira brasileira, aparecem no relatório a mexicana Orbia Advance Corporation e duas multinacionais que atuam na Colômbia — Glencore (suíça) e Drummond (americana). Ambas são acusadas de manter a exportação de carvão colombiano para Israel mesmo após o governo de Gustavo Petro anunciar restrições formais. A Drummond afirmou que recebeu autorização legal para cumprir contratos anteriores.

A relatora Francesca Albanese já vinha publicando apelos por sanções internacionais contra Israel e críticas à participação de empresas na logística de abastecimento da guerra. A reação internacional foi intensa: os Estados Unidos anunciaram sanções contra a relatora, acusando-a de antissemitismo e viés anti-Israel. Já a Anistia Internacional classificou a retaliação como um “ataque descarado” à independência de investigações da ONU.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também voltou a criticar duramente Israel durante a cúpula do Brics no Rio de Janeiro, chamando a ofensiva em Gaza de genocídio e cobrando ação internacional. Apesar disso, o relatório aponta que o governo brasileiro não teria impedido exportações de petróleo que, segundo Albanese, podem estar sendo utilizadas por tanques e aviões israelenses.


 

Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

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