Paciente com HIV avançado teve a infecção mais longa já registrada, segundo estudo publicado por pesquisadores nos EUA
Pesquisadores da Universidade de Boston documentaram o caso mais longo já registrado de infecção ativa por Covid-19. Um homem de 41 anos conviveu com o vírus por 776 dias consecutivos, até falecer por complicações não diretamente ligadas à doença. O estudo foi publicado na revista científica The Lancet Microbe.
O paciente tinha HIV em estágio avançado e não fazia tratamento regular, o que comprometeu seu sistema imunológico. Isso permitiu que o coronavírus permanecesse ativo por mais de dois anos, mesmo após o início do uso de antivirais.
Segundo os médicos, os primeiros sintomas surgiram em maio de 2020, com tosse, dor de cabeça e fadiga. O diagnóstico oficial só ocorreu meses depois, quando o quadro respiratório se agravou. Desde então, ele nunca chegou a eliminar o vírus completamente.
Entre 2021 e 2022, os cientistas realizaram coletas frequentes e identificaram 68 mutações do coronavírus dentro do organismo do paciente. Esse processo mostrou como o vírus conseguiu se adaptar ao hospedeiro, sem que houvesse registros de transmissão para outras pessoas.
Mesmo assim, exames de PCR confirmaram a presença do vírus até dois dias antes da morte. Para os especialistas, o caso reforça a importância da vigilância genômica e do acompanhamento de pacientes imunossuprimidos diante de infecções prolongadas.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto’ Getty imagens