Presidente afirma que projeto é responsabilidade do Legislativo e, sem citar Bolsonaro, reforça que ex-chefe do Executivo deve “pagar” pelos atos golpistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (11), que só irá se manifestar oficialmente sobre o PL da Dosimetria quando o texto, aprovado pela Câmara e agora em análise no Senado, for enviado ao Palácio do Planalto. A declaração foi dada em entrevista à TV Alterosa, em meio ao avanço das discussões sobre a proposta no Congresso Nacional.
Lula ressaltou que o tema, neste momento, pertence exclusivamente ao Legislativo e que não pretende interferir no debate antes da conclusão da tramitação.
“Não gosto de dar palpite em algo que não diz respeito ao Poder Executivo. É uma matéria do Legislativo. Eles estão discutindo, tem gente que concorda, gente que discorda. Quando chegar à minha mesa, tomarei minha decisão — eu e Deus — e farei aquilo que entender que deve ser feito”, afirmou.
Lula volta a criticar Bolsonaro sem citá-lo diretamente
Durante a entrevista, o presidente voltou a comentar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão pelos atos relacionados ao plano golpista. Sem mencionar o nome do adversário, Lula defendeu que ele “pague” pelo que fez.
“Tentou fazer uma coisa muito grave. Não foi brincadeira. Havia um plano arquitetado para me matar, matar o Alckmin e o Alexandre de Moraes. Um plano para explodir um caminhão em aeroporto e para sequestrar o poder depois de perder as eleições”, disse.
Lula argumentou que Bolsonaro estaria em condições políticas diferentes caso tivesse respeitado o resultado das urnas e as instituições democráticas.
“Porque ele tem que pagar pela tentativa de golpe, pela tentativa de destruir a democracia neste país. Se tivesse tido a postura que eu tive ao perder três eleições, ou a que o PSDB teve, poderia estar hoje disputando as eleições. Mas tentou encurtar caminho”, completou.
A expectativa é de que o Senado conclua a análise do PL da Dosimetria ainda nas próximas semanas, antes que o projeto chegue oficialmente à mesa presidencial.
Por: Manuel Messias
Foto:Ricardo Stuckert/Presidência da República