Escola abre o Grupo Especial no Rio com enredo sobre a trajetória do presidente, cita Janja e faz alusão crítica a Jair Bolsonaro, gerando aplausos e reações da oposição
O Carnaval do Rio de Janeiro voltou a mostrar, neste domingo (15), que a Marquês de Sapucaí também é palco de disputas simbólicas, memória política e leitura crítica do Brasil. Primeira escola do Grupo Especial a desfilar em 2026, a Acadêmicos de Niterói levou para a avenida um enredo centrado na trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, misturando história, emoção e posicionamento político explícito.
Com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola percorreu a vida do presidente desde a infância em Pernambuco, passando pela migração em pau-de-arara, a atuação sindical, a chegada ao Palácio do Planalto e o simbolismo que Lula carrega para parte significativa da população brasileira. A narrativa foi conduzida com forte apelo emocional, destacando a figura materna de dona Eurídice Ferreira de Mello e a construção de uma liderança popular.
O ator e humorista Paulo Vieira representou Lula na avenida, enquanto o próprio presidente acompanhou o desfile de um camarote oficial, reforçando o caráter histórico da apresentação. A primeira-dama Janja da Silva também foi citada no samba e apareceu como símbolo de afeto e parceria ao longo da narrativa apresentada pela escola.
Além da homenagem, o desfile chamou atenção pela crítica direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em uma das alegorias mais comentadas da noite, a escola fez uma alusão ao adversário político de Lula, representando-o como um palhaço preso, em uma imagem carregada de ironia e provocação. O carro alegórico provocou reações imediatas nas arquibancadas e nas redes sociais, dividindo opiniões.
Para defensores da liberdade artística, a apresentação reafirma o Carnaval como espaço legítimo de crítica social e política. Já integrantes da oposição acusaram a escola e o presidente de transformarem o desfile em propaganda política, levantando questionamentos sobre o uso de recursos públicos e prometendo levar o caso à Justiça.
Com 25 alas, cinco carros alegóricos e mais de três mil componentes, a Acadêmicos de Niterói abriu o Carnaval do Grupo Especial deixando claro que, em 2026, o samba não desfila apenas fantasia e brilho. Desfila também ideias, disputas narrativas e a permanente tensão entre cultura popular e poder político — marca registrada da história do Carnaval brasileiro.
Por: Genivaldo Coimbra