Ministro quer saber se quebras de sigilo foram encomendadas para venda a terceiros e mira origem de informações que chegaram à imprensa
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue se a quebra de dados fiscais envolvendo sua esposa e o filho de um dos ministros da Corte foi encomendada com o objetivo de comercialização das informações a terceiros.
A revelação foi feita nesta quinta-feira pela Folha de S.Paulo, que informou que o pedido de investigação foi incluído no escopo do inquérito das fake news. A apuração busca esclarecer se houve uma ação coordenada para acessar ilegalmente dados sigilosos e, posteriormente, utilizá-los como instrumento de ataque contra integrantes do STF nas redes sociais.
Segundo a publicação, Moraes não detalhou quais teriam sido exatamente as quebras de sigilo fiscal, mas deixou claro que o foco da investigação é identificar a origem dos vazamentos que chegaram à imprensa. As informações divulgadas associariam o ministro ao Banco Master, o que levantou suspeitas sobre o uso indevido de dados protegidos por lei.
Nos bastidores do Supremo, a iniciativa é vista como uma reação direta ao avanço de ataques pessoais contra magistrados e seus familiares, ampliando a preocupação da Corte com a instrumentalização de informações sigilosas para fins políticos ou de intimidação. O inquérito das fake news, conduzido sob a relatoria de Moraes, já apura a atuação de grupos organizados acusados de promover campanhas de desinformação e ameaças contra ministros.
A Polícia Federal agora deverá rastrear como esses dados foram obtidos, quem autorizou ou solicitou eventuais quebras de sigilo e se houve tentativa de venda ou repasse das informações a terceiros. O caso pode resultar em novos desdobramentos judiciais, inclusive com responsabilização criminal dos envolvidos, caso irregularidades sejam confirmadas.
Por: Genivaldo Coimbra