Análise crítica do filme O Homem Invisível na série Monstros da Universal

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Depois de inaugurar a linha de minisséries em quadrinhos Monstros da Universal da Skybound/Image com Drácula, que foi seguida de adaptações de O Monstro da Lagoa NegraFrankenstein e A Múmia por outros roteiristas, James Tynion IV retorna para adaptar O Homem Invisível, seguindo a bem-vinda ausência de padrão do selo, ou seja, sempre trazendo abordagens diferentes para o conhecido material clássico. Mesmo começando exatamente como o filme de 1933 dirigido por James Whale, que famosamente sofreu toda ordem de interferência dos engravatados do estúdio, resultando em algo bem menos interessante do que deveria ter sido considerando o romance de 1897, de H.G. Wells, o roteiro de Tynion IV segue seu próprio caminho, pegando emprestado tanto elementos do filme, quanto do romance para criar algo de personalidade própria que consegue se destacar pela moralidade torpe de seu protagonista, o cientista Jack Griffin.

No lugar de correr para fazer de Jack uma criatura “sem corpo”, o roteiro caminha devagar, mas com constância, pela mente de Griffin que descobre as propriedades de invisibilidade de uma substância instável conhecida como monocaína, mas mantendo todas as suas descobertas em segredo. Não é a invisibilidade que desequilibra mentalmente o protagonista, mas sim sua obsessão, pois, subvertendo expectativas, Tynion IV cria horrores a partir das experimentações em animais e até em uma criança, trabalhando sensacionalmente bem a ansiedade que se torna psicopatia e todo o imagético da invisibilidade, algo sempre difícil de ser colocado em forma visual, mas que a desenhista grega Dani consegue materializar de maneira própria, mas ao mesmo tempo sem se distanciar demais da atmosfera do filme da Universal.

A dupla criativa, portanto, faz o melhor possível do formato relativamente curto das minisséries da Skybound, focando quase que exclusivamente em Griffin e naqueles que gravitam ao seu redor, sejam como interesse amoroso, interesse financeiro ou percepção de competição e inimizade, mas sempre ampliando as sensações de maneira a fazer do personagem alguém que não aceita nada que não venha dele próprio, nem mesmo o amor genuíno da filha do patrocinador de seus experimentos. Griffin é, para todos os efeitos, um homem que se sente pequeno e que, por isso, luta para tornar-se grande, o que só torna mais evidente sua pequenez e sua imoralidade que o afasta cada vez mais do convívio social. É a inspiração de insanidade causada pela ambição que faz dessa adaptação do filme de 1933 uma obra especial mesmo dentro da linha de quadrinhos em questão, algo que cria angústia ao leitor e a completa impossibilidade, mesmo que por um segundo, em criar empatia com o cientista, o que sem dúvida é uma ousadia do roteirista, ousadia essa que, pelo menos para mim, funcionou muito bem.

As possibilidades narrativas da história do Homem Invisível ou, talvez melhor dizendo, do conceito de um homem que se torna invisível, são muitas e diversas abordagens foram tentas ao longo das décadas, inclusive a assustadora adaptação de 2020, e é refrescante perceber que, nos quadrinhos, James Tynion IV soube encontrar seu caminho muito particular para levar para as páginas uma abordagem que consegue elevar e ao mesmo tempo respeitar o filme de 1933, trazendo uma versão que afasta a descoberta da invisibilidade como catalisadora da obsessão e psicopatia de Jack Griffin e universaliza o conceito da busca pela excelência em qualquer área a todo custo, inclusive e especialmente a humanidade.

Monstros da Universal: O Homem Invisível (Universal Monsters: The Invisible Man – 2025)
Contendo: Universal Monsters: The Invisibile Man #1 a 4
Roteiro: James Tynion IV
Arte: Dani
Cores: Brad Simpson
Letras: Becca Carey
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Skybound Entertainment (Image Comics)
Datas de publicação: 27 de agosto, 24 de setembro, 05 de novembr, 26 de novembro de 2025; encadernado em 21 de abril de 2026
Páginas: 112





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