Peça teatral explora conceito do Gato de Schrödinger para refletir sobre a memória

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São Paulo


Duas amigas não conseguem distinguir os limites das próprias identidades. É nessa zona cinzenta que “Animal Dentro” se instala. A montagem estreia neste sábado (25), no Teatro Arthur Azevedo (região leste), com entrada gratuita.

Idealizada por Juliana Lohmann e Carol Garcia, a peça se propõe a fazer do palco um laboratório de afetos e memórias. A amizade puxa os fios de uma história que desafia a lógica do tempo. Para Lohmann, essa simbiose transcende o texto. “Essa fusão é um aprendizado, na verdade, é observar o olhar do outro sobre o mundo e transformar o nosso próprio olhar”, conta.

Duas mulheres estão próximas, uma atrás da outra, com a mulher de trás envolvendo o braço ao redor da frente da outra. Ambas usam roupas predominantemente brancas com detalhes pretos, em fundo neutro.

‘Animal Dentro’ foi idealizada pelas atrizes Carol Garcia (esq.) e Juliana Lohmann


Bre Quevedo/Divulgação

A conexão quase mística entre as personagens reflete a vida real. As atrizes são tão parecidas —inclusive nas feições de rosto— que já renderam algumas confusões no cotidiano. Olhar para isso com humor, segundo Lohmann, é sempre uma boa saída.

No palco, porém, esse espelhamento ganha camadas de mistério. Sob a direção de Luiz Fernando Marques Lubi e Erica Montanheiro, a narrativa se desdobra em fragmentos que saltam dos 8 aos 80 anos, revelando que nem tudo na memória das duas mulheres é o que parece.

A peça utiliza o clássico paradoxo do Gato de Schrödinger para questionar o que é real e o que é invenção. Na teoria quântica, o gato (dentro de uma caixa fechada) pode estar vivo e morto ao mesmo tempo. Na peça, as vidas de Carolina e Juliana habitam esse mesmo estado de incerteza.

Segundo Garcia, essa metáfora traduz a complexidade do envelhecer e das versões que deixamos de ser. “Essas pessoas todas que nos habitam, que fomos e que não somos mais —e que de alguma forma nos formaram—, estão em nós e não estão mais.”

Essa dualidade também se traduz no não dito. Existe um segredo que as atrizes protegem, mas cujas pistas são oferecidas aos poucos à plateia. Garcia explica que as quebras da quarta parede são essenciais para esse jogo. São textos que entregam as peças para que a audiência monte a sequência dos acontecimentos.

Com referências poéticas de Lygia Fagundes Telles e Hilda Hilst, a montagem culmina em uma reflexão sobre a perda do que poderia ter sido e a resistência de uma amizade que sobrevive.

“A ideia do espetáculo é que a plateia se torne cúmplice dessa amizade e sinta falta dessas duas. Esperamos que o público saia inspirado a criar bons encontros”, conta Lohmann.

Rostos de duas mulheres jovens sobrepostos em uma imagem com efeito de transparência. A mulher central tem cabelo loiro e olhos claros a outra aparece parcialmente nas laterais, com cabelos e tons de pele diferentes. Fundo neutro e iluminação suave destacam os detalhes faciais.

Montagem foi idealizada pelas atrizes Juliana Lohmann e Carol Garcia


Bre Quevedo/Divulgação

Animal Dentro

Dir.: Luiz Fernando Marques Lubi e Erica Montanheiro. Com: Juliana Lohmann e Carol Garcia

Teatro Arthur Azevedo – Sala Multiuso – av. Paes de Barros, 955, Alto da Mooca, região leste. Estreia: sáb. (25). Até 10/5. Qui. a sáb., 21h. Dom., 18h. Grátis (retirada com 1 hora de antecedência na bilheteria)





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