A prisão do ginecologista Marcelo Arantes e Silva revelou um possível padrão de comportamento adotado dentro do consultório que, segundo a polícia, se repetiu com diversas pacientes em Goiânia e Senador Canedo. Até o momento, 23 mulheres formalizaram denúncias relatando situações semelhantes durante atendimentos médicos.
De acordo com os depoimentos colhidos pela investigação, o médico se aproveitava do momento do exame ginecológico — situação em que a paciente já se encontra em condição de vulnerabilidade — para adotar condutas consideradas incompatíveis com o procedimento clínico.
O padrão descrito pelas vítimas
Segundo a polícia, os relatos apresentam pontos em comum:
O médico prolongava exames sem justificativa clínica clara;
Realizava toques físicos que não eram explicados previamente;
Mantinha comportamento considerado invasivo, sem consentimento informado;
Em alguns casos, pacientes relataram que só perceberam a irregularidade após deixarem o consultório.
A repetição desse modo de agir chamou a atenção dos investigadores, que passaram a tratar o caso como um possível padrão predatório dentro do ambiente médico.
Pacientes começaram a desconfiar e gravar consultas
Um dos elementos que fortaleceram a apuração foi o fato de que algumas mulheres, desconfiadas da postura do profissional, decidiram gravar as consultas. Esses registros foram entregues à polícia e ajudaram a confirmar a semelhança entre os relatos.
Há casos envolvendo pacientes grávidas e mulheres em acompanhamento ginecológico de rotina, o que, segundo os investigadores, ampliava a condição de vulnerabilidade durante o atendimento.
Investigação se estende desde 2017
As denúncias mais antigas identificadas no inquérito remontam a 2017. A polícia acredita que outras possíveis vítimas ainda possam procurar a delegacia após a divulgação do caso.
O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, que não descarta o surgimento de novos relatos com o avanço da investigação.
Situação profissional e posição da defesa
Por decisão judicial, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás suspendeu o registro do médico, impedindo-o de exercer a profissão enquanto o caso é apurado.
A defesa afirma que o profissional é inocente, que sempre atuou dentro dos protocolos médicos e que a prisão é desnecessária neste momento.
A investigação segue em andamento.