A ampliação da licença-paternidade no Brasil reacendeu um debate que ultrapassa o direito ao afastamento após o nascimento de um filho. Especialistas avaliam que a mudança pode afetar diretamente a forma como empresas enxergam a contratação e a progressão de carreira das mulheres.
Sancionada recentemente, a nova lei estabelece um aumento gradual do período de afastamento dos pais: dos atuais cinco dias para 10 em 2027, 15 em 2028 e 20 dias em 2029. O benefício também passa a valer para casos de adoção, guarda legal e inclui trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais.
Para estudiosos do mercado de trabalho, a mudança começa a enfrentar uma raiz histórica da desigualdade de gênero: a concentração do cuidado infantil na mulher. Quando apenas elas se afastam, empresas tendem a prever impactos na produtividade feminina, o que influencia decisões de contratação e promoção.
Com a ampliação do direito aos homens, esse “custo percebido” da parentalidade passa a ser distribuído. A lógica muda: tanto homens quanto mulheres podem se ausentar para cuidar dos filhos, o que reduz a tendência de priorizar candidatos do sexo masculino.
Experiências internacionais reforçam esse entendimento. Países que adotaram políticas parentais mais equilibradas observaram redução no viés de gênero no ambiente corporativo. Na Suécia, por exemplo, há 480 dias de licença parental por família, com divisão obrigatória entre os responsáveis.
Embora o Brasil ainda esteja distante dos modelos mais avançados, especialistas apontam que a nova legislação representa um passo importante. A medida retira o país de uma posição entre os mais restritivos e o coloca em patamar intermediário no cenário global.
Por: Lucas Reis