TCE-RJ suspende contrato de videomonitoramento para show da Shakira
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou a suspensão de um contrato de R$ 79,8 milhões firmado pelo governo estadual com a empresa XPTO para fornecimento de tecnologia de videomonitoramento em grandes eventos, incluindo o megashow da cantora Shakira, marcado para o dia 2 de maio na praia de Copacabana. A decisão foi anunciada em 29 de abril e impacta diretamente as operações de segurança preparadas para o evento.
Tecnologia de ponta envolvida na segurança do show
O contrato prevê o uso de câmeras com reconhecimento facial, leitura automática de placas veiculares, contagem de público, análise comportamental e equipamentos complementares como pórticos, totens, alto-falantes e botões de pânico. O valor destinado para a segurança do show da Shakira é de R$ 15,9 milhões, considerado essencial pelo atual secretário da Polícia Militar do Rio, Sylvio Guerra, que destacou a importância dessas tecnologias para a prevenção e o cumprimento da missão constitucional da PM.
Governo fluminense acata decisão, mantém estrutura existente
Apesar da suspensão do contrato com a XPTO, o governo do Rio de Janeiro declarou que manterá a estrutura de segurança já instalada na praia de Copacabana, devido à falta de tempo hábil para contratar uma nova solução. O governo, sob comando interino de Ricardo Couto, afirmou que irá cumprir a determinação do TCE e que uma nova comissão de fiscalização irá auditar o contrato na atual gestão.
Controvérsia entre empresas XPTO e L8 Group
A suspensão impulsionou uma polêmica envolvendo duas empresas concorrentes: XPTO e L8 Group, esta última responsável pelas câmeras corporais das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro. A L8 Group, que participou do edital mas não apresentou proposta de preços, apresentou representação ao TCE-RJ contestando a regularidade do contrato com a XPTO.
Acusações de capital inflado e investigação
A XPTO, criada em fevereiro de 2025, é alvo de investigações por suposta inflação de capital social, que inicialmente declarava R$ 34,4 milhões lastreados quase integralmente em ativos “podres” do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (BESC). Esse episódio está relacionado a fraudes financeiras ligadas ao banco, incorporado ao Banco do Brasil em 2008. O Tribunal de Contas da União (TCU) também revisa as operações da XPTO, que teve sua licitação federal suspensa.
Reações oficiais e futuro do contrato
Em nota oficial, a XPTO manifestou respeito institucional à decisão do TCE-RJ e se compromete a fornecer todos os esclarecimentos técnicos e documentais necessários, afirmando ter capacidade para operar os eventos programados. Por sua vez, o governo estadual sinalizou uma postura rígida em relação a novas contratações com a empresa e garantiu maior fiscalização sobre o contrato vigente, visando garantir a segurança pública diante da complexidade do cenário atual.
Impactos para eventos e segurança pública no Rio de Janeiro
A suspensão do contrato levanta preocupações sobre a continuidade e a eficácia da segurança em eventos de grande porte no Rio de Janeiro. Enquanto a tecnologia aplicada representa um avanço significativo na prevenção e monitoramento, a controvérsia expõe os desafios administrativos e jurídicos na contratação pública. O desenrolar dos próximos dias será crucial para definir se a XPTO poderá manter seus serviços ou se haverá a necessidade urgente de buscar alternativas para garantir a proteção dos frequentadores do espetáculo da Shakira e futuros eventos no estado.